sábado, 27 de setembro de 2014

Diálogo de Dilma com o grupo terrorista Estado Islâmico

Diálogo de Dilma com o grupo terrorista Estado Islâmico

Por Guy Franco | Guy Franco – sex, 26 de set de 2014

Como vão, rapazes? Ouvi muito sobre vocês na TV. E lamento enormemente o bombardeio dos EUA nos últimos dias. Se tem uma coisa com a qual eu não concordo são atos violentos antes de sentar frente a frente na mesa de negociações. Eu acredito no diálogo. Por isso estou aqui. Os diálogos são importantíssimos no processo civilizatório. O diálogo é uma coisa muito simples e de fácil entendimento, mas que às vezes é muito complicado também.

Vi vários vídeos seus no YouTube e pensei, “Poxa, esses jovens precisam de atenção, quando foi que deixamos de notá-los? A decapitação é um ato de desespero, um apelo. Será que ninguém percebe isso? Há uma tristeza que corrói por dentro esses meninos do EI. Vamos dialogar com os meninos do EI?”

Ainda que no ocidente não aceitemos decapitações de jornalistas, nem nenhum outro tipo de decapitação, talvez antes devêssemos nos perguntar o que é afinal a decapitação, o que é a violência. A violência é sem dúvida uma ameaça. Mas é importante medi-la com as réguas adequadas. O que é violência para nós pode não ser violência para vocês. Cada cultura se sedimenta sobre suas próprias singularidades, não é mesmo? O Brasil, por exemplo, é conhecido pelo futebol, carnaval, samba, colonialismo, dengue, Rede Globo, Sabrina Parlatore, vão livre do Masp e biquínis. Viemos de culturas bem diferentes. Quem sou eu para condenar as tradições dos outros? Eu acredito na troca. E tenho certeza de que vocês têm muito a nos oferecer; que vocês têm os seus próprios carnavais, os seus próprios vãos livres do Masp e as suas próprias Sabrinas Parlatores para nos apresentar. Assim como nós temos as nossas próprias perseguições para apresentar a vocês também. É a troca que constrói o aprendizado e o amadurecimento das nações, disse uma vez aquele japonês da ONU.

Estou falando tanto que quase ia me esquecendo dos presentes. Aldo, me passa a sacola da Renner. Viu, são só lembrancinhas. Espero que gostem. Essa aqui é uma arara esculpida em quartzo. E essa é uma camiseta da seleção brasileira assinada pelo Daniel Alves. Ele e toda a seleção brasileira pedem paz. Eu peço paz e acredito que com o diálogo poderemos chegar lá semana que vem.

O Ronaldo? Se importam de não falarmos sobre ele agora?

Mas então, quais são os seus planos para o fim de semana? Acham que rola parar de perseguir quem vocês estão perseguindo? Claro, vocês não precisam me dar uma resposta agora se não puderem. Não quero pressionar nada. Respeito a pluralidade de ideias e o tempo de pensamento oriental.

Eu reparei que vocês estão o tempo todo mexendo com essa faca. Só para avisar, antes de chegar nesse acampamento eu comi um wrap. Se estão pensando em me preparar um lanche, por favor, peço que não se preocupem comigo. Estou bem. É sério mesmo.

O quê? Vocês também têm um presente para mim? Não precisavam se dar ao trabalho. Olha, é um macacão! Sabem que adoro a cor laranja? Claro, claro, visto sim. Entendo. É a mesma coisa no Brasil. Quando vou visitar uma refinaria da Petrobrás o procedimento padrão é vestir um macacão laranja como esse.

Oi? Vocês querem tirar uma #rousselfie comigo? É para eu olhar para essa câmera? Não entendi. O que vocês querem que eu faça na frente da câmera? Eu falei, não estou com fome, mas já que vocês insistem, aceitaria um pãozinho, sim. Ou então posso preparar uma omelete para os meninos. O que acham? Como vocês fazem para aguentar o calor encapuzados?

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